1

1
O vento nunca levará a História e as memórias!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Castro das Parreitas...Bárrio...Alcobaça

Escavações no Castro das Parreitas

Ladeira da Quinta à saída do Valado e lá no cimo...as Parreitas

Para quem desce a ladeira da Quinta e atravessa os rios do Valado, tem agora que subir a encosta que o levará ao Bárrio.
Mais ou menos a meio encontra um desvio que o levará ao Castro Romanizado das Parreitas, "pendurado" sobre aquilo que foi a Lagoa da Pederneira - era uma situação privilegiada, situado precisamente onde a lagoa era mais estreita.
Esta estação tem sido estudada ao longo dos anos e muitos dos achados arqueológicos encontram-se expostos no Museu Monográfico do Bárrio, e que remontam a ocupações desde há pelo menos 5 mil anos. 
A sua Romanização deve ter ocorrido durante os séculos II a IV depois de Cristo.
As estruturas arquitectónicas revelam a influência de técnicas romanas.
Presença dum achado arqueológico...aqui tão perto do Valado!


A Villa Romana de Parreitas, situada nas colinas do Bárrio e debruçada sobre a antiga Lagoa da Pederneira, é testemunho de uma ocupação humana que se prolonga entre os séculos I e IV, sendo herdeira de uma tradição que remonta, pelo menos, ao Calcolítico.
Já referenciada por Vieira Natividade (professor Alcobacense) nos finais do século XIX, a Villa torna-se objecto de escavação e estudo sistemático a partir de 1980, sob a direcção do prof. Doutor Pedro Gomes Barbosa (Instituto de Estudos Regionais e do Municipalismo Alexandre Herculano - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Apoiadas na riqueza da antiga Lagoa da Pederneira, a noroeste, e na produtividade agrícola dos campos que as marginalizam a sul, foi possível àquelas populações desenvolverem uma economia autónoma, que lhes permitiu estabelecer relações com comunidades geograficamente afastadas. O seu desenvolvimento económico comprova-se também pelas actividades industriais, essencialmente vocacionadas para o consumo local, e das quais destacamos a olaria, a tecelagem e a metalurgia.
As estruturas arquitectónicas exumadas definem dois edifícios, sendo pelo menos um destinado a habitação. Construídos em alvenaria, ligada com "opus" e atravessados por três sistemas de canalização, são um claro exemplo de construção local influenciada pela técnica romana. O seu interior, estruturado em redor de um pátio central, apresentava vários muros decorados com estuque pintado, sendo o chão coberto de "opus signinum" e, em pelo menos um caso, revestido a mosaico, destruído pelas recentes actividades agrícolas.
O espólio encontrado e exposto no Museu Monográfico do Bárrio, é demonstrativo das diversas actividades dos habitantes daquele espaço, com relevância para as de carácter quotidiano: grande quantidade de fragmentos de cerâmica comum e conchas de moluscos utilizados na alimentação. Paralelamente, surgem alguns objectos em cerâmica de luxo, nomeadamente diversos tipos de "terra sigilata", bem como moedas de bronze, fragmentos de vidro, contas decorativas, asas de "situla", algumas "fibulae" e dois fragmentos de uma inscrição em pedra.