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O vento nunca levará a História e as memórias!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Alminhas...do Valado




As Alminhas são padrões de culto aos mortos. 
O painel de azulejos, representa as almas ansiosas no Purgatório, à espera que as orações dos vivos as purifiquem dos seus pecados, para depois poderem entrar no Paraíso.
São pequenos altares onde se pára um momento para deixar uma oração, erguidos quase sempre nos caminhos rurais ou estradas nacionais.
É frequente encontrar velas e lamparinas acesas, deixadas pelas pessoas que passam no local, ou mesmo oferendas de flores.
No painel das Alminhas do Valado, vê-se na parte superior Anjos, a Virgem Maria e S. Miguel com a balança (a perspectiva avaliadora sobre o merecimento ou não de entrar), e em baixo as Almas implorando para a subida ao Paraíso.
Quase abandonadas,as Alminhas do Valado...são história! 

"As alminhas são uma criação genuinamente portuguesa e não há sinais de haver este tipo de representação das almas do Purgatório, pedindo para os vivos se lembrarem delas para poderem purificar e "subir" até ao Céu, em mais lado nenhum do mundo a não ser em Portugal", afirma António Matias Coelho, professor de História.
Só a partir do século XV aparecem efectivamente as representações artísticas do Purgatório, antes só muito raramente aparecem e não têm um modelo definido. 
Os concílios de Leão ( II ), Florença e de Trento vieram reforçar o dogma da existência do Purgatório, mas foi, principalmente, a partir do concílio de Trento, em 1563 que este dogma foi fortemente fortalecido e difundido, assim como o foi o costume da “ encomendação das almas“. 
O culto das almas e o fascínio que os caminhos e encruzilhadas sempre provocaram nas pessoas, contribuíram para que as Alminhas ocupassem o lugar dos anteriores altares romanos, mas isto não explica que as Alminhas tenham tido origem nos referidos altares. 
As Alminhas são uma das expressões mais originais da arte popular portuguesa e expressam a religiosidade do nosso povo.. 
As almas que ardem no fogo do Purgatório, simbolizado por uma fogueira, rezam para assim pedirem o auxílio dos santos como S.José, S.António entre outros, do anjo S.Miguel Arcanjo, de Jesus Cristo crucificado, da Virgem Maria e do Espírito Santo e pedem também às pessoas que por lá passam que rezem por elas, para poderem ir para o Céu. 
“As almas são normalmente figuradas como bustos humanos de adultos (...) de ambos os sexos, de todas as categorias, vocações e raças (...)”. As crianças, segundo a crença, eram puras de alma e sobem de imediato ao Paraíso, sem passarem pelo Purgatório, por isso não aparecem representadas nas Alminhas.
Em Portugal, as primeiras representações artísticas do Purgatório só aparecem a partir do século XVI. Durante o séc. XVII, os quadros do Purgatório espalham-se mais ou menos por todo o país. No séc. XVIII as pinturas ao ar livre das cenas do Purgatório espalharam-se, em grande número, por muitos caminhos e povoações. Nos séc. XIX e XX as pinturas do Purgatório mantiveram-se.

profviseu.com/pessoal/froque/alminhas.htm



Hélio Matias