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Vento nunca levará a História e as memórias!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

É proibido...


Esta é mais uma imagem que hoje terá algo de inédito.
Era uma placa que se encontrava sobre a porta principal do Café Helcar.
Quando hoje todos nós nos confrontamos com paredes escritas, colagens, etc. etc...bastava esta simples placa para dissuadir e fazer respeitar a vontade dos outros.
No fim, tudo se insere no mesmo contexto...uma questão de educação!

Hélio Matias

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Isto é...coabitação

Este é o verdadeiro espírito de solidariedade.
Nesta minha palmeira, coabitam a vinha virgem e a sardinheira.
...Afinal é possível!


Hélio Matias

Nazaré...chegou o tempo da praia





Estes modelos estão já na época dos saldos!...
É de aproveitar porque se calhar não será por muitos dias!
Mas já estão à venda os novos modelos de fatos de banho para homem e senhora, a usar na época que agora se aproxima.
Fazem favor de analisar bem face às imagens e...só precisam escolher!
A casa que já os possui garante o envio no mesmo dia...por mail!

Hélio Matias

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Aluguer carros de praça...em Alcobaça




Este é um edital emanado da Câmara Municipal de Alcobaça de 13 de Março de 1942 onde se estabelecem os preços a pagar quando se aluga um carro de praça (hoje denominado taxi).
Uma ida ou volta, entre Alcobaça e a Estação Caminho de Ferro do Valado custa entre 10$00 e 15$00 - teríamos hoje 5 e 7,5 cêntimos.
A outra opção de uma ida e volta, custa 12$50 e 17$50 - teríamos hoje 6,25 e 8,75 cêntimos.
A 70 anos de distância tudo é diferente...nem carros de praça havia no Valado!

Hélio Matias


Imagens que "falam"

 1925
 1940
1947

Por vezes uma imagem vale mais que...muitas palavras!

Hélio Matias

domingo, 25 de junho de 2017

Arte de beber...no campo

 Beber do cabaço

Estamos num tempo em que as garrafas de plástico ainda não existiam!
Fica-nos no entanto a certeza de que dessedentar-se era um imperativo de quem desenvolvia um esforço sobre-humano(?!).
E as alternativas durante esse trabalho eram simples de equacionar...água ou vinho!
Para estes trabalhadores a "baterem água a cabaço"...trabalho de grande exigência física...o beber água resolveu-se através do cabaço cheio no próprio regato onde têm os pés mergulhados!...
Para a outra alternativa...fica o beber pelo pirolito, onde é transportado vinho, e a exigência de uma perícia que nem todos conseguiam praticar...o buraco do pirolito inserido no seu bojo, obrigava a que os lábios fossem esticados (o nariz podia ser um "empecilho") e ao mesmo tempo era necessário respirar...através dos cantos da boca para não se tirar o pirolito a cada gole!
Fácil?!...experimentem!

Beber do pirolito

Fotos de Joaquim dos Santos Ferreira

Hélio Matias

sábado, 24 de junho de 2017

Hoje é dia de S. João


Esta é uma imagem que hoje dificilmente encontramos !...
Se fizer um retorno a 50 anos de distância, nela está TUDO o que neste dia desejávamos...um bailarico...o lançar um balão que subia pelo ar quente introduzido...o vaso de manjerico e...a fogueira, que os mais novos tentavam saltar atravessando assim as labaredas.
Esta era talvez a parte mais excitante!
Durante o dia alguém se encarregava de ir a um pinhal trazer mato...aguilhota e fundamentalmente alecrim, depois era deitar-lhe o fogo e nas aldeias, tínhamos então várias fogueiras depois do jantar, geralmente num largo ou cruzamento de ruas.
Era festa até às tantas!
ERA...

Hélio Matias

Nazaré..."lamber" um sorvete!

Triciclo do Sr. Luís, em 1947

 Triciclo de vendedor de sorvete, igual ao do Sr. Luís

Chegou finalmente o Verão!
Praia...campismo...passeatas...férias e...sorvetes!
Comer, ou melhor lamber um sorvete, era um dos "pontos" altos que os miúdos (principalmente) mais ambicionavam!
Para satisfazer esta grande aventura, era preciso socorrermo-nos do homem que pacientemente fazia a viagem com um triciclo adaptado, desde Alcobaça até à praia da Nazaré...e não era uma tarefa fácil, pois para além de pedalar cerca de 12 Kms, com algumas subidas acentuadas, tinha que autenticamente empurrar a caixa geladeira onde levava o sorvete que entretanto durante a noite ele próprio confeccionava, tendo como ingredientes açúcar, água e um pouco de corante para o tornar mais apelativo.
Este personagem existiu mesmo na minha meninice e adolescência...era o Sr. Luís.
Parava o triciclo junto ao paredão, em frente da praça Sousa Oliveira e esperava que a garotada e não só, reclamasse das mães os 5 ou 10 tostões para o Sr. Luís encher um cone!
Depois era o regresso até à barraca onde a mãe esperava que lhe chegasse também um sorvete que mandara vir...muitas vezes já meio derretido.
...E era observar a felicidade com que o sorvete era paulatinamente lambido na totalidade!
Depois...veio a motorização e a industrialização e...o Sr. Luís, cansado...desapareceu.
Eis as carrinhas da OLÁ...do RAJÁ...dos CORNETOS...sei lá eu como diz uma das minhas netas!
Houve ganhos?!...Houve perdas?!
Quem quiser que faça o juízo, mas esta industrialização, não conseguiu fazer esquecer os sorvetes do...Sr. Luís!

A delícia do lamber um sorvete

Triciclo numa fase mais evoluída

Em plena praia da Nazaré


                                                                Hélio Matias

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Bilhete de Identidade...sem validade


Mais uma curiosidade com outro Bilhete de Identidade...como outra que já referi num post.
Este não apresenta termo de validade!
Passado que foi no dia 16 de Julho de 1934, este Valadense, jamais teve de se preocupar com a revalidação deste documento.
Não sei se era prática na época esta situação, mas de qualquer modo por considerar inédito, apraz-me registá-la.
As leis seriam mais voláteis, mas...o cidadão sentia-se "melhor" que hoje!

Hélio Matias

Amolador de tesouras...Consertador de chapéus de chuva

Amolador "moderno" a tocar gaita de beiços

Amolador "moderno" a tocar gaita de beiços

Amolador a trabalhar

Amolador de tesouras - consertador de chapéus de chuva, colocador de agrafos em pratos /alguidares e afiador de facas/navalhas/tesouras - eram as funções deste homem, que ainda anunciava a chegada da chuva quando com o assobio da sua "gaita de beiços"...se anunciava percorrendo as ruas do Valado
É uma figura que já não se encontra tal qual surge na imagem, substituída mais tarde por uma bicicleta transformada, e também porque deixou de haver "clientes"...pela alteração radical na vida.
Curiosamente as pessoas conotavam o aparecimento do Amolador com a chegada das chuvas por meras circunstâncias indiciadoras, que se prendiam com o facto de ele aparecer praticamente no inicio do Outono ou então...por "desígnios" inexplicáveis!
A "gaita de beiços" feita em madeira, a da figura é recortada lembrando a cabeça dum cavalo, era passada sob o lábio inferior, correndo da esquerda para a direita e vice-versa soprando ar para uns orifícios, resultando um silvo estridente que se ouvia longe e era inconfundível.
Pratos, alguidares, jarros e travessas de barro partidos, eram pelo Amolador recuperados, colocando-lhes uns agrafos - "gatos" - voltando a vedar e fazer com que servissem mais uns tempos
Em relação aos chapéus de chuva, consertava as varetas, remendava o pano, e  tínhamos o chapéu pronto para suportar mais um Inverno.
Finalmente com uma roda de esmeril, que girava impulsionada por um pedal que o Amolador acelerava, aí o tínhamos a afiar facas, navalhas e tesouras.
A imagem abaixo é um desenho feito pelo Sr. Joaquim dos Santos Ferreira - Valadense.
Com o seu talento ele consegue captar quem durante décadas percorreu as ruas do Valado.
Aqui sobressai fundamentalmente o rigor de pormenores, como o alguidar cheio de "gatos", a mulher com uma panela a fim de ser remendado um buraco que terá, o chapéu de chuva pendurado provavelmente já arranjado e o afiar de uma tesoura ou faca, que está a fazer.
Este amolador tinha de facto uma grande capacidade...fazia de tudo um pouco!
O aparecimento do plástico...e a facilidade com que se substitui quase tudo...ditou a "morte" do amolador tradicional!
Hoje o amolador vem na sua velha bicicleta...passa...toca a gaita de beiços...mas poucos clientes o esperam!
Chegou o descartável 
Amolador...um homem providencial

Desenho Joaquim Ferreira Santos
Amolando uma tesoura
                                                  
Hélio Matias 

                                                                                                 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O nosso país e...os sábios


Por vezes temos necessidade de ter a humildade precisa para reconhecermos que...não somos sábios!
É que ser sábio é difícil...e há poucos!
Um pouco de humildade e reconhecimento qb...é a solução.

Hélio Matias

Mercado de Alcobaça

Quantas Valadenses?

Em Alcobaça, o Mercado Municipal realizado semanalmente, apresentou-se em locais diferentes ao longo das décadas, desde o Rossio...à Praça D. Afonso Henriques...à Praça 5 de Outubro...para finalmente "pousar" na área da Gafa onde hoje se encontra.
Era conhecido por ser um mercado "farto", já que aí acorriam as diversas populações das freguesias deste extenso concelho, bem como as gentes do concelho vizinho da Nazaré.
Para além dos produtos agrícolas aí facilmente encontrados, era também um mercado abastecedor de sementes, alfaias, peixe da Nazaré e até...animais usados pelo mundo rural, burros, vacas, porcos (numa feira que se realizava na Gafa - feira de gado) e animais de capoeira.
Era sem dúvida um Supermercado...no tempo!
Depois foi-se esvaziando de "peso" e influência por razões de que todos nos apercebemos.
Hoje, o Mercado de Alcobaça....parece ter entrado num estertor de "morte anunciada"!



Tabela de preços no Mercado de Alcobaça, 1895

Hélio Matias


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Papoila...conquista a sua liberdade!

 Poderíamos chamar-lhe...a resistente

Uma das mais bonitas flores...efémera...em ambiente hostil!
Desde sempre as papoilas exercem sobre mim um fascínio que não consigo explicar, mas é um facto que uma quase "preocupação" é descobrir o aparecimento das papoilas nos locais por onde me desloco.
Coloco aqui a imagem dessa flor tão simples e singela que descobri algures.
Foi a 1ª, de milhares e milhares que irão invadir os nossos campos.
Desde a ornamentação...a tema de canção com o mesmo nome...a integrar a canção do hino do Benfica...a canção do período de Abril, a papoila é muito mais importante que a sua singeleza e "simplicidade" parecem fazer crer!
A papoila ou papoula, é uma flor da família das Papaveraceae, abundante no Hemisfério Norte, cultivada para ornamento, ópio ou comida.
Algumas imagens...para a reavaliarmos!

 Poderíamos chamar-lhe...o Mar Vermelho

Sem...comentário
 O seu lugar na música


Hélio Matias 

Alcobaça...chalé Maria e Oliveira



Este chalé, ficava situado na Quinta da Conceição, a qual fazia parte da cerca do Mosteiro. Mais modesto que outros existentes em Alcobaça, era contudo exótico. O seu proprietário, Bernardino Lopes de Oliveira, foi várias vezes Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça; à praça central da Nazaré, então pertencente ao concelho de Alcobaça, foi dado o nome Sousa Oliveira. 
D. Maria do Carmo Eliseu, casou com este rico proprietário portuense, e sem filhos, bastante esmoler e com avultados meios de fortuna, deixou parte dos seus bens a uma Fundação de Assistência aos Velhinhos. 
Dez anos após a morte do marido em Maio de 1913, receberia na sua luxuosa residência, na rua do Colégio, os primeiros velhinhos.
Dos seus numerosos bens, faziam parte as quintas das Pretas, Vale Conqueiro, Conceição e alguns imóveis, hoje pertença da Fundação Maria e Oliveira, que apoia a 3.a Idade e 1 .a Infância.
É uma "estória" de vida, onde a partilha e a solidariedade andaram de mãos dadas...não muito frequente hoje!

in Marques, Maria Zulmira Furtado, Um Século de História de Alcobaça 1810 - 1910

Hélio Matias  

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Nazaré...7 saias

 Nazarenas a lavar no rio do Nasce Água
Bilhete postal circulado da Nazaré para Elvas, 18 Agosto 1975 

A Nazaré em qualquer época do ano e aos fins de semana preferentemente, acolhe uma população que se traduz numa multiplicação de factor quase infinito!
E se as belezas naturais...o mar...são um apelo de sempre, também as sua gentes e a garridice do trajo das Nazarenas o são...é o que a imagem deixa transparecer!
As sete saias fazem parte da tradição, do mito e das lendas da Nazaré...terra de mar e pescadores. Representariam as sete virtudes; os sete dias da semana; as sete cores do arco-íris; as sete ondas do mar...entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete. 
A sua origem não é de simples explicação, nem coincidente e conclusiva. No entanto, as várias saias (sete ou não) da mulher da Nazaré estão sempre relacionadas com a vida do mar. As Nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos da volta da pesca na praia sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes para taparem as pernas, estando desse modo sempre “compostas”. 
Não há unanimidade sobre a razão e o quando do seu aparecimento, sendo interessante referir esta "hipótese"...as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar (isto porque “ o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava e para não se enganarem nas contas elas desfiavam as saias, quando chegavam à última, vinha o raso e o barco encalhava”)!
O uso de várias saias pelas mulheres da Nazaré também está ligada a razões estéticas da beleza e harmonia das linhas femininas – cintura fina e ancas arredondadas.Certo é que a mulher foi adoptando o uso das sete saias nos dias de festa, e a tradição continua ainda hoje. No entanto, no traje de trabalho são usadas, normalmente, um menor número de saias (3 a 5).
É um bom tema para os etnólogos e antropólogos "esmiuçarem", na perspectiva duma conclusão.
Será possível(?!)...haja mobilização! 



http://www.cm-nazare.pt

 Hélio Matias