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Vento nunca levará a História e as memórias!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Mata moscas e mosquitos


Quem não se lembra desta providencial "bomba"?
Colocava-se através da tampa no depósito à esquerda, o insecticida, e depois bastava dar ao embolo como se estivéssemos a dar ar num pneu de bicicleta.
Imediatamente o insecticida começava a sair numa forma de "spray" e...adeus moscas que isto aqui está a ficar difícil!
Penso que ainda vai sendo possível encontrarmos esta ferramenta, mas hoje preferimos socorrer aos "enlatados" e...o "spray" está pronto a usar!

Hélio Matias

terça-feira, 25 de abril de 2017

Nazaré - criação do Concelho


É em 1912 que surge a criação do concelho da Nazaré!
Durante séculos, em que o lugar administrativo da Nazaré não existia, era a Pederneira quem detinha o "poder".
À entrada do século XX, e quando se começa a verificar uma alteração na vida dos Portugueses, vai haver uma maior fixação junto à enseada da Nazaré, e assim um  desenvolvimento da pesca!
Por outro lado e concomitantemente, o fluxo turístico que entretanto se começa a fazer sentir ganha um desenvolvimento tal que se torna também necessário começar a criar estruturas para o receber e acolher.
Ao desenvolverem-se estas vertentes, dar-se-á ao mesmo tempo um decréscimo da importância...desenvolvimento e...influência da Pederneira!
Penso que estarão criadas as condições para surgir o concelho da Nazaré...publicitado no Diário do Governo de 18 Dezembro 1912! 

Hélio Matias

Aljubarrota...estalagem do Cruzeiro





Este é um imóvel à entrada da povoação de Aljubarrota...de tantas tradições históricas e que fica a cerca de 6 Kms de Alcobaça.
Mesmo na frente, o Cruzeiro, que certamente lhe serviu para a sua denominação!
Estrategicamente colocada no principal eixo Norte - Sul, durante décadas, perdeu a sua influência quando as novas vias rodoviárias foram "abertas"!
A estalagem do Cruzeiro foi por muitos anos um local de referência dentro das opções que se ofereciam para quem procurava condições de estadia muito boas, bem como as vistas soberbas que se estendiam da serra dos Candeeiros até ao Atlântico!
Algo se modificou...muito se perdeu, até passar por tempos de autêntico abandono!

Hélio Matias

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Granja do Valado









Hélio Matias

Monjas de Cós - Mosteiro de Santa Maria

Nave central
 
Quando menos esperamos, encontramos "por estas Terras de Cister", maravilhas que nos fazem meditar...pela sua beleza, valor histórico e fundamentalmente pelo estado de esquecimento a que estão "votadas"!
É assim com este Mosteiro de Santa Maria de Cós...complexo monástico feminino da Ordem de Cister.
Os mosteiros femininos medievais assumiram alguma importância, funcionando como local de recolhimento das mulheres viúvas e solteiras das camadas sociais mais elevadas, e que assim "desobrigava" de responsabilidades as famílias a que pertenciam. 

O mosteiro de Santa Maria de Cós, tal como hoje o conhecemos, surgiu apenas no século XVI. A iniciativa deveu-se ao abade comendatário de Alcobaça, D. Afonso, filho de D. Manuel I, que iniciou a sua construção. O seu irmão Henrique, que viria a ser rei de Portugal, também abade comendatário no mesmo convento iria prosseguir as obras do Mosteiro de Cós, terminando a construção da igreja, do dormitório, do coro e tudo mais.
Hoje o que resta do mosteiro é a igreja e, anexa a esta, a sacristia. Para Sul, adossado a meio do corpo da igreja, fazendo com ela um ângulo recto, levantam-se ainda os dos pisos do dormitório, janelas esventradas a que foram arrancadas as cantarias para as utilizar em outros edifícios.
Como sucedeu por todo o país os séculos XVII e XVIII trouxeram as reformas, reconstruções e redecorações de edifícios. Assim terá sucedido com o Mosteiro de Cós. O único elemento quinhentista evidente é o portal manuelino, que dava entrada a nascente para o coro. Trata-se com grande probabilidade de uma obra realizada durante o abadessado de D. Afonso, iniciado em 1519.
A crer nas datas inscritas na fachada Sul da igreja, as obras de que resultou o actual edifício situam-se nos últimos três ou quatro decénios do século XVII. O portal de entrada leva a data de 1671.
O templo é constituído por uma nave abobadada com meia centena de metros de comprimento. O corpo da igreja acessível aos leigos, entre o coro e o altar-mor, situa-se a Poente ficando este último, contrariamente ao habitual, virado a Oriente. O tecto da nave é preenchido por oitenta caixotões de madeira pintados em policromia e recentemente objecto de magnífico restauro. O corpo do edifício é revestido interiormente até ao tecto por azulejos datados do final do século XVII e inícios do século seguinte. No coro, o magnífico cadeiral recentemente restaurado é composto originariamente por cento e seis assentos. O que significa que o Mosteiro possuiria o mesmo número de celas para outras tantas monjas, a permitir formar uma ideia da sua dimensão. Magnífico também é o revestimento azulejar da sacristia, constituída por dez painéis setecentistas historiados com cenas de debuxo do final de Quinhentos, da geografia de Bernardo de Claraval.

Sala do coro
 
Altar mor 
Sacrário 

Mosteiro de Santa Maria de Cós

Martinho, Ana Margarida Louro - Mosteiro de Santa Maria de Cós
http://bazardasmonjas.blogspot.pt

Hélio Matias

terça-feira, 18 de abril de 2017

Aos que me seguiram e leram!

Quando algo se inicia, o FIM acabará por poder ser uma consequência lógica!
Ao longo de cerca de 8 anos este espaço por nós ocupado, resultou num ponto de encontro...partilha...e, embora virtual, todos podemos ter sair enriquecidos...eu desejei-o!
Neste momento não me parece que tenha interesse a sua manutenção!
Eis pois porque depois de ponderar com cuidado e criteriosamente, resolvi que o mais sensato era encerrar esta "janela dialogante".
Terminou!...
Não estou a "fechar a porta"...poderemos voltar a estarmos "juntos", com um outro espaço algo diverso, fundamentalmente no conteúdo.
OBRIGADO e até já!

Hélio Matias

terça-feira, 11 de abril de 2017

Nazarenas de trouxa à cabeça...a caminho do rio


Mais imagens das lavadeiras e o Valado, mas...agora como se estivéssemos a ver um filme ao contrário!
Geralmente mostram-se as mulheres a lavar ou já de regresso a casa, estas imagens mostram um grupo vindo da Nazaré...com uma enorme trouxa à cabeça...e em pleno exercício de equilibrismo.
Reparar que na 1ª imagem, parece terem já idade avançada, e estão quase a chegar em frente ao Monte de S. Bartolomeu, descalças, e é de certeza manhã bem cedo...o Sol está de frente para elas!
Descalças...para o rio do Abegão ou do Calisto!
A 2ª  imagem é dos anos 1960, cedida por A. Santos.
Estamos perante um trabalho árduo, hoje extremamente atenuado ou melhor(?!)...inexistente!


Hélio Matias

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Nazaré...mercado peixe 1909


Com mais de 100 anos, esta é uma imagem que não poderemos recriar, mas onde vislumbramos muita da "estória" que contribuiu para "fazer" a Nazaré de hoje!
Toda a vida concentrada bem lá no "sul"!
Não há estrada alcatroada...não se vislumbra o paredão...crianças que brincam junto de adultos que trabalham numa azáfama do transporte do peixe para os armazéns ali tão perto...carros de vacas com taipais (certamente do Valado a preparar-se para levar um carregamento de caranguejo que irá servir de adubo para as terras agrícolas)...sem "vestígios" de electricidade e...muita gente em movimento!
...Não se vislumbra se é Verão, mas "lá ao Norte" a multidão não parece ser muita!
Esta é outra Nazaré...de tantas que se conheceram!

Hélio Matias

domingo, 9 de abril de 2017

Matracas na Semana Santa


A tarde de 5ª feira Santa era no Valado um tempo de grande recolhimento e religiosidade.
Começava por ninguém ir trabalhar no campo, e os homens iam à pesca de enguias nos rios e abertas que sulcam os campos...era também a preparação das refeições que nestes últimos dias da Quaresma impunham a abstinência da carne.
Mas a par deste pequeno pormenor profano, havia outros de maior sentido religioso comum e frequente a muitos lugares, onde sobressaía o toque das matracas.
No tempo da Quaresma, doutro tempo, os padres impunham muitas restrições e obrigações que todos cumpriam. Não se cantava senão na Igreja, não se tocava qualquer instrumento, realejo, concertina, pandeireta e outros, não havia baile, tapavam-se as cruzes...era um tempo de grande recolhimento, interioridade e religiosidade.
Na tarde de Quinta-Feira Santa já ninguém ia trabalhar para o campo e na Sexta-Feira Santa tapavam-se todas as imagens com panos roxos, as janelas com panos pretos e os sinos não tocavam. Em vez do seu toque, para chamar os Cristãos para as cerimónias religiosas recorria-se às matracas.
O sino "emudecia" e os seus toques eram substituídos a partir das Avés-Marias (cerca do pôr do Sol), pelo som das matracas....uma tábua, onde estavam suspensas umas ferragens, que quando era agitada em movimentos rítmicos faziam um barulho característico - treco treco treco.
Esta operação era feita por um adulto seguido dum grupo de crianças, para quem isto era um acontecimento completamente novo, percorrendo as principais ruas da aldeia.
Isto repetia-se até ao toque do sino a anunciar a ALELUIA e se proclamar "Jesus Ressuscitou Alegrai-vos".
Religiosidade herdada de tempos imemoriais...impossíveis hoje de repetir!



http://onovoblogdosforninhenses.blogspot.pt

Hélio Matias

sábado, 8 de abril de 2017

Anúncios...de quando as galinhas tinham dentes




É pelo menos uma visita para ver publicidade de 1960!
Sorria, mas...era já um certo avanço.


Hélio Matias

Taberna






A realidade Valadense há muitas décadas era deprimente e indiciadora de alguma miséria social.
Este texto foi publicado no jornal Comércio de Alcobaça em 5 de Novembro de 1936, por António Sousa Coelho, o primeiro proprietário da Farmácia Coelho...mantém ainda hoje o nome.
Ele demonstra um quadro social que nos faria hoje corar de vergonha e preocupação, que desejamos não volte a mostrar-se...pese os tempos difíceis porque estamos a passar!

Hélio Matias

terça-feira, 4 de abril de 2017

Atrocidade Medieval


Este foi um dos maiores suplícios que as mulheres chinesas durante gerações sofreram, e quando há relativamente poucos anos se conseguiram libertar desta ignomínia, tinham os pés deformados com aspecto "horrível" e sofreram dores inomináveis!
...A libertação chegou...chega sempre, mas...o caminho foi MUITO LONGO!

in Público


Hélio Matias

Nazaré...chalés


A Nazaré não é só mar e areia...apesar de ter uma existência administrativa relativamente recente, "transporta" com ela bons testemunhos duma história que se quer manter viva!
Esta aguarela de F. Diogo a ilustrar os chalés Cândido Rodrigues, é bem disso um testemunho! 
Cândido Rodrigues foi um grande armador e empresário que, em 19 de Julho de 1891, lançou ao mar da Nazaré uma armação valenciana, "Catatau", proveniente de Cascais. Aliás, tinha também armações na Ericeira e se veio para a Nazaré, foi porque esta já era reconhecida pelas suas potencialidades marítimas.
Em 1892, adquiriu um estabelecimento de "banhos quentes” que se situava junto da Capela de Santo António e procedeu a grandes modificações que melhoraram consideravelmente o seu aspecto e funcionalidade.  
É também proprietário do galeão "Gladiador", cuja missão era transportar uma enorme rede e cercar cardumes de sardinhas. Existe ainda hoje, um protótipo de menores dimensões no Turismo da Nazaré.
Em finais de noventa do século XIX, mandou construir estes belos chalés que tanto embelezam a zona norte da vila e que, em vez de serem rodeados de luxuriantes jardins, têm a emoldurá-los a vastidão do mar...
É preciso que este "naco" de história não entre pelo sorvedouro que por vezes se "abate" sobre muitas das riquezas arquitectónicas...e assim se percam exemplos que depois, só o papel continuará a recordar!


 Bilhete Postal circulado da Nazareth para Lisboa, em 29 Agosto 1907

Neste postal ressalta logo à esquerda o edíficio dos Banhos Quentes, onde à porta vislumbramos a imagem dum "varino"...mais ao fundo os chalets e...à nossa direita constatamos ainda a não construção do paredão.

Marques, Maria Zulmira Furtado, Um Século de História de Alcobaça 1810-1910 

Hélio Matias 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Alcobaça, mercado...mulheres do Valado


Esta é uma imagem cerca de 1940, e retrata um dia de Mercado Semanal em Alcobaça.
Este era o local privilegiado pelos Valadenses comercializarem a sua produção agrícola.
Era um verdadeiro dia de festa porque englobava para além do negócio em si, disponibilizava também uma visita a um outro mercado paralelo e onde era possível encontrar um qualquer utensílio, alfaia, etc...ou até tomar conhecimento das grandes tragédias transmitidas pela voz dum moço de cego, que o acompanhava à guitarra, vendendo também o indispensável Borda de Água.
E as Valadenses estão bem presentes!
Reparar na quantidade de abóboras colocadas à venda e nos seus característicos chapéus com borla...é uma presença inconfundível em Alcobaça.
A ida para o mercado, realizado à 2ª feira, era feita durante a noite/madrugada quando os homens lhes levavam em carros de vacas os produtos para a venda, que era rigorosamente assumida pela mulher.
Imagens que não se voltarão a repetir...a opção do supermercado destruiu esta vida genuinamente rural!

Hélio Matias

domingo, 2 de abril de 2017

Morte do alguidar


Poderíamos hoje falar na "morte do alguidar"...na justa medida em que dificilmente o encontraremos, após a "explosão" dos plásticos!
Era um utensílio muito útil e não havia casa que não dispusesse de um.
O alguidar, de barro vermelho, era duma utilidade doméstica a toda a prova, era nele que se colocava a massa a levedar para fazer o pão, era para o alguidar que se cortavam as carnes quando se desmanchava o porco depois da matança, era no alguidar que se deixava a carne cortada para as choiriças a "curtir", era no alguidar que se lavava a louça do dia a dia, era no alguidar que se recebia a água da chuva que escorria do beirado, era no alguidar que se lavava alguma roupa mais frágil, era no alguidar que se dava banho aos bebés, e sei lá eu (como diz uma das minhas netas) para que mais serviria o alguidar!
Sem dúvida que estava sempre presente.
E quando por um descuido o alguidar se partia, lá vinha o "amola tesouras - conserta chapéus de chuva - conserta alguidares", que com uma técnica muito própria colocava uns "gatos" que permitiam vedá-lo tanto quanto possível e dar-lhe mais uns tempos de "vida".
Hoje temos os plásticos...quem tem um alguidar?!

Hélio Matias

sábado, 1 de abril de 2017

Medite sobre isto!


No fundo...no fundo, não andaremos muito longe!

Hélio Matias

Almocreve


Quanto não devemos estar gratos à habilidade e interesse do Sr. Joaquim Ferreira dos Santos?!, de facto a ele se deve o perpetuar desta imagem do almocreve nas ruas do Valado.
Estes "embriões" dos agora modernos "centros comerciais e supermercados", vendiam de tudo um pouco, ou melhor...transportavam o que eram as primeiras e imediatas necessidades duma população dependente daquilo que à porta lhe faziam chegar, neste caso o almocreve.
Na imagem a representação é fidedigna...à esquerda uma típica Valadense à espera de vez para ser aviada...depois um idoso apoiado num pau, usando um barrete e calçando tamancos espera também para ser aviado de azeite ou petróleo...ao lado direito uma outra mulher fazendo da abada (avental dobrado com as pontas metidas no cós da cintura e assim originando uma bolsa) o local de transporte e onde traz as mãos...por fim o almocreve, o vendedor, aviando numa garrafa, o azeite ou petróleo.
Como figura central e fundamental o burro ou mula, meio de transporte que apresenta a grande capacidade de conseguir levar até muito longe as mercadorias a transaccionar...equilibradas e dispostas de modo engenhoso que conciliava a exposição e a facilidade de acesso.
O cão, é uma presença obrigatória na paisagem duma aldeia rural.
O almocreve já não existe hoje, mas não terá ele servido para incrementar muitas das opções comerciais de agora?
Os almocreves eram pessoas que conduziam animais de carga e/ou mercadorias de uma terra para outra em Portugal, durante a Idade Média e até tempos bem recentes - meados do século XX.
Numa época de comunicações limitadas, eram essenciais como agentes de comunicação intercomunitária (além de serem indispensáveis ao abastecimento de bens às vilas e cidades). De entre as rotas de abastecimento mais importantes, destaque para as que os levavam a transportar peixe do litoral para o interior e, no sentido inverso...cereais. Não os confundir com mercadores.
Perdemos o almocreve...fica aqui a sua memória!




Hélio Matias