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O vento nunca levará a História e as memórias!

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Dinheiro em Alcobaça


Cédula Camarária, também chamada, Papel de Valor ou Dinheiro de Emergência.
Estas pequenas cédulas camarárias foram emitidas pelas várias municipalidades do país com a finalidade de facilitar o troco com as notas maiores da época, que culminava com o fim da Primeira Guerra Mundial. 
A escassez de metais disponíveis para o fabrico de moedas levaram vários municípios portugueses a seguirem o exemplo de outros países do resto da Europa que também emitiram este tipo de "dinheiro".
Aparentemente não tiveram a aprovação pela parte do Governo nem pela parte do Banco de Portugal, mas esse facto não evitou que as várias Câmaras Municipais as emitissem.
E a Câmara Municipal de Alcobaça não fugiu à regra, emitindo estas cédulas com a foto do edifício do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça e respectivo número de ordem!
...Quem sabe do "jeito" que não dariam...hoje!
Imaginem só os Autarcas a fazerem dinheiro a seu belo prazer, e as filas com milhares de pessoas à espera...nem na sopa dos pobres a afluência seria tanta!!!
Julgo que o melhor seria mandá-las por "mail"!!!! 






Hélio Matias

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Mar da Nazaré...entrar e sair!


Na Nazaré é assim, a solidariedade não é uma palavra vã, e como diz a canção..."e na hora do aperto"...todos são poucos para dar uma ajuda.
Neste belíssimo instantâneo, ele são as vacas...os pescadores...os banhistas, todos repartem a sua atenção e disponibilidade para pôr o barco na água!
Depois da faina terminada, a hora do regresso é também um momento de ansiedade, onde a destreza é por vezes o "grande segredo"...o saber fazer dos pescadores...o conhecer as "manhas do mar e marés"...ou o rumo caprichoso do vento, têm de ser ponderados.
...Mas mesmo assim!
Na Nazaré muitas vezes se diz "há uma volta de mar", e nem sempre tudo corre bem...como a imagem dá para perceber!


Hélio Matias

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ciclone 1941...no Pinhal de Leiria



Em 15 de Fevereiro de 1941, um grande ciclone derrubou no Pinhal de Leiria cerca de 165. 000 árvores, entre as quais grande quantidade de espécies exóticas, raras e seculares.
A queda de tantas árvores obstruiu a grande maioria das estradas e deixou o Pinhal de tal forma emaranhado que a recuperação demorou anos a fazer-se.
Sabe-se que as 165 000 árvores foram transformadas em 96 114m³ de madeira serrada e 30.000 esteres de lenha para os fornos do vidro. Para armazenar a madeira foram construídos grandes armazéns na Marinha Grande e em Coimbra, para onde foram enviadas as melhores madeiras, destinadas à Direcção dos Serviços dos Monumentos e Edifícios Nacionais.
Estas tragédias que são intemporais e inesperadas, tiveram no entanto em 1941 um "tratamento" que nos dias de hoje a acontecerem nos deixam perplexos sobre a capacidade de actuação...outros tempos!
Basta recordarmos o que tem acontecido com os fogos florestais de Maio e deste fim de semana...que também afectou este mesmo pinhal...


in Pinhal do Rei

                                                                Hélio Matias

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Descubra Portugal


Por vezes pensamos que os mapas de pouco nos servem!...
Esta sequência de imagens, mostram-nos como também podem servir para nos elucidar sobre certos temas.




in Pinterest

Hélio Matias

Fábrica Cerâmica José Reis - Alcobaça

Bacia e jarro. Colecção Luís Pereira de Sampaio

Há diversas referências à arte de trabalhar o barro mesmo no Mosteiro de Alcobaça...ao longo de séculos da monarquia...nomeadamente em relação à obra escultórica dos Monges.
No entanto em relação à louça, não há informações concretas.
José dos Reis, oriundo de Coimbra onde era comerciante de louça, deverá ter-se deslocado para Alcobaça com o objectivo de produzir faiança para mercados que, devido à grande distância e aos meios de transporte desse tempo, não lhe seriam fáceis de abastecer de outro modo. Arrendou então umas instalações a José Rino, numa cavalariça de uma casa senhorial junto à ponte D. Elias e aí surgiu a primeira fábrica de cerâmica de que se tem conhecimento em Alcobaça.
"Alcobaça" e "15/8/75" eram inscrições que se encontravam num prato referido por José Queirós na sua Cerâmica Portuguesa - num outro feito para uma exposição em 1925, também o ano de 1875 vem referido como sendo a data de fundação.
A sua produção, que ia desde a loiça pintada até à estampada, empregava como base o barro branco da região, que provinha de uma quinta pertencente à família Pereira dos Capuchos, foi, durante quase um século (até à década de sessenta), a matéria--prima da cerâmica produzida em Alcobaça.
Existem pouquíssimas peças marcadas conhecidas, e as que não o são, podem confundir-se com as de Coimbra.
Os motivos decorativos mais conhecidos são paisagens com casario e árvores ou então flores, a preto, azul ou cor-de-rosa.
A cerâmica faz parte da vertente industrial de Alcobaça, e por décadas foi sem dúvida quase a única e de certeza a maior empregadora.
Problemas colocados na última década levou ao seu desbaratamento e hoje...não existem!

Pratos, um deles com marca sinete incisa na pasta. Colecção Luís Pereira de Sampaio

 
Marcas da fábrica José Reis

 
Prato pintado à estampa. Diâmetro 32,3 cm. Colecção Coronel Bivar de Sousa

Prato pintado à estampa. Diâmetro 34,4 cm. Colecção Coronel Bivar de Sousa


Sampaio, Jorge Pereira de e Pereira, Luís Peres - Cem Anos de Louça em Alcobaça
Sampaio, Jorge Pereira de - faiança de Alcobaça 


Hélio Matias
 

domingo, 15 de outubro de 2017

Casamento perfeito



Eram 18.00 horas quando se deu o "feliz enlace"!
Ainda não me tinha apercebido de tal "boda", mas reparando com mais atenção...descobri!
No lado esquerdo da imagem temos uma mancha enorme dum fogo que lavra algures perto de Pataias, e...no lado direito uma nuvem iluminada pelo Sol que está a "pôr-se" e lhe dá um aspecto de "algodão doce".
Oxalá que este "casamento" não dê em divórcio e que a nuvem...não seja passageira, pois só assim o fogo será controlado.
Esperemos pela chuva...sem grandes certezas!

Hélio Matias

Pinhal de Leiria

Bela imagem duma estrada na Mata 
Nacional de Leiria 

O Pinhal de Leiria, a que Arala Pinto chamou de "O maior monumento de Portugal", também conhecido por Pinhal do Rei ou Mata Nacional de Leiria! 
Situa-se quase na sua totalidade no concelho da Marinha Grande (cerca de 2/3 da sua superfície), ao Sul do rio Liz.
Afonso Lopes Vieira e Fernando Pessoa, referenciam-no nos seus textos!
Tem uma área de 11.029 hectares que está dividida por arrifes (no sentido norte/sul) e aceiros (no sentido nascente/poente) em 142 talhões de cerca de 35 hectares. A espécie florestal largamente dominante é o pinheiro-bravo (cerca de 98% da área arborizada da Mata).

 Movimentação, por arrastamento, de pinheiros abatidos,
usando junta de vacas.

A origem do Pinhal de Leiria remonta seguramente a tempos anteriores ao reinado de D. Dinis (final do século XIII, princípios do século XTV), eventualmente anterior à fundação da nacionalidade e nele predominava então o pinheiro-manso. Mas foi D. Dinis que a lenda e a tradição consagraram como a figura emblemática deste Pinhal, sendo seguro que muito contribuiu para a sua valorização considerando-o como Mata da Coroa, mandando fazer grandes sementeiras de pinheiro--bravo e estabelecendo as primeiras regras para a sua administração. Com estas acções visava a fixação das areias do litoral que soltas e arrastadas pelos ventos muito prejudicavam a agricultura da região e ao mesmo tempo produzir madeiras em qualidade e quantidade para as enormes e crescentes necessidades de uma indústria de construção naval nacional que chegou a produzir centenas e centenas de navios que percorreram as costas da África, do Brasil e da Índia.
Ao longo dos tempos esta Mata, estratégica para o desenvolvimento regional e nacional, serviu de modelo para a gestão das restantes matas públicas.

 Serrando toros de pinheiros no pinhal...notar num homem  
dentro dum buraco a ajudar o que está sobre o pinheiro

Em 1824, é criada a Administração Geral das Matas do Reino, em 1852 e com sede na Marinha Grande/Pinhal de Leiria, situação que perdurou até à criação dos Serviços Florestais em 1886. Tanto então como mais tarde, durante a vigência dos Serviços Florestais, aqui trabalharam os mais ilustres técnicos florestais em diversas áreas de conhecimento florestal: estudos, investigação e experimentação, cartografia, botânica, ordenamento, resinagem, correcção torrencial, fixação e arborização das dunas, silvicultura do pinheiro-bravo, formação profissional, exploração florestal, etc.
O Pinhal do Rei foi o primeiro sustentáculo económico da Marinha Grande, produzindo as matérias-primas para as indústrias de serração de madeiras e destilação de produtos resinosos e mais tarde para a indústria vidreira (a madeira da mata era o combustível utilizado).
A Mata Nacional de Leiria, para além do seu actual e histórico papel de protecção das dunas e produção de resina e madeira de pinho de elevada qualidade e dimensão, e ainda da sua função económico-social para os povos limítrofes da mata (caça, lenha, matos, caruma, carvão) desempenha, numa óptica de multi-funcionalidade, um papel de interesse crescente para os cidadãos em geral, como espaço privilegiado de recreio, lazer e paisagem, complementar das praias de Pedrógão, Vieira e S. Pedro de Muel.

 Floresta Portuguesa, Imagens de Tempos Idos - Fundação Luso-Americana

Hélio Matias